À primeira vista,
sou uma pequena poça,
turva,
rasa.
Timidamente, alguns desejam molhar os pés,
e eu os engulo,
os afogo no meu doce rio,
tão superficialmente mentiroso.
Um interior cheio de
seres desconhecidos,
mais antigos que os da era
cretácea,
prontos para devorar
pessoas bobas.
E tão belo é quando o Sol bate nas pequenas ondas
que se formam ao ventar:
como pode uma pequena poça, na verdade, ser algo assustador?
Os que escapam correm
e gritam, gritam, gritam;
choram, choram, choram
ou simplesmente riem.
Verbalizam com escárnio
que adentraram
o portal do meu mundo mágico e lá,
por um momento, dominaram.
Não se preocupem:
à noite, os assombrarei
com sonhos horrendos
de demônios corpulentos
os perseguindo ao relento.
Uma vela preta acenderei para seu tormento;
os quebrarei em pedaços,
pois nada se volta inteiro de lá.
Posso ser tão cruel quanto sou gentil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário