terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Pequena poça

 



À primeira vista,
sou uma pequena poça,
turva,
rasa.

Timidamente, alguns desejam molhar os pés,
e eu os engulo,
os afogo no meu doce rio,
tão superficialmente mentiroso.

Um interior cheio de
seres desconhecidos,
mais antigos que os da era
cretácea,
prontos para devorar
pessoas bobas.

E tão belo é quando o Sol bate nas pequenas ondas
que se formam ao ventar:
como pode uma pequena poça, na verdade, ser algo assustador?

Os que escapam correm
e gritam, gritam, gritam;
choram, choram, choram
ou simplesmente riem.
Verbalizam com escárnio
que adentraram
o portal do meu mundo mágico e lá,
por um momento, dominaram.

Não se preocupem:
à noite, os assombrarei
com sonhos horrendos
de demônios corpulentos
os perseguindo ao relento.
Uma vela preta acenderei para seu tormento;
os quebrarei em pedaços,
pois nada se volta inteiro de lá.
Posso ser tão cruel quanto sou gentil.

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