quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Poema experimental sobre a morte



Em minha lápide

não cabe o tamanho da

minha vida,

tão curta quanto comprida.

Não cabem os risos e as lágrimas,

não cabem os amores e as mágoas,

não cabem os amigos e a família,

não cabem os filhos e as filhas.

Não cabe metade do que fui um dia.


Em minha lápide está escrita

uma bela frase concisa,

uma dedicatória à vida.

E um dia essa lápide nem há

de ser minha,

pois meus ossos serão

retirados para dar espaço

a um novo cadáver,

onde, numa pequena lápide,

não caberá metade do que ele

também foi um dia.

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