Arranquei as cascas
das feridas cicatrizadas
para relembrar como é sentir dor.
Pois agora sou vazia,
intensamente vazia,
ao ponto de vomitar suco gástrico
para performar uma reação qualquer.
As larvas comem devagar
esse pus nojento que escorre
do joelho machucado.
Algumas põem ovos,
querem me preencher.
Terei belos filhos voando por aí.
Será que a vida humana vale uma guerra?
Será que quarenta e seis mil mortes valem toda prata e ouro?
Será que esses políticos também são vazios
ou o sofrimento os sacia?
Um peão preso a um jogo imbecil,
uma luta perdida,
uma alma que vaga nos campos de batalha
procurando sua mãe e seu pai
diante de tantos corpos jogados a esmo.
Teve uma época em que eu corria livremente, feliz.
Agora ando devagar, mancando,
com medo das bombas.
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