quinta-feira, 23 de abril de 2026

A justiça

 

Seja a justiça

sem as suas vendas,

esbugalhe os olhos

e analise bem,

com sua balança de metal,

sem pender um mísero

peso a mais para baixo

de um dos lados.


Não espere a piedade

dos homens

nem o karma espiritual,

porque habita a Terra,

não o etéreo.

Conscientemente,

não vê o sangue que foi

derramado?

O tanto de corpos dizimados?

E o dano na natureza causado?


Seja o tsunami

que devora

uma cidade,

a avalanche que encobre

a montanha,

o vendaval que

bagunça tudo.

Seja o caos

para quem está

acostumado

à paz enquanto

causa absurdos.

Não somos seres nulos.


Queime aqueles que

tentarem te queimar.

Lute pelo que acredita,

pois temos que ser fortes

por nós mesmos.

Chorar o leite derramado,

esperando alento,

não vai sanar a dor e o

sofrimento,

nem sarar os machucados.

A justiça é quem vai

curar todo esse estrago.


Dançando, então, em meio

ao fogo,

redescubro uma nova face.

Uma língua serpenteia

para fora da minha boca,

e os meus olhos...

Os meus olhos esbugalhados

e atentos brilham

em um vermelho-alaranjado intenso.

Consumida inteira,

criei asas gigantes

de um preto fosco,

pés de águia.

Minha balança agora

é uma espada que

destrói.


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