Seja a justiça
sem as suas vendas,
esbugalhe os olhos
e analise bem,
com sua balança de metal,
sem pender um mísero
peso a mais para baixo
de um dos lados.
Não espere a piedade
dos homens
nem o karma espiritual,
porque habita a Terra,
não o etéreo.
Conscientemente,
não vê o sangue que foi
derramado?
O tanto de corpos dizimados?
E o dano na natureza causado?
Seja o tsunami
que devora
uma cidade,
a avalanche que encobre
a montanha,
o vendaval que
bagunça tudo.
Seja o caos
para quem está
acostumado
à paz enquanto
causa absurdos.
Não somos seres nulos.
Queime aqueles que
tentarem te queimar.
Lute pelo que acredita,
pois temos que ser fortes
por nós mesmos.
Chorar o leite derramado,
esperando alento,
não vai sanar a dor e o
sofrimento,
nem sarar os machucados.
A justiça é quem vai
curar todo esse estrago.
Dançando, então, em meio
ao fogo,
redescubro uma nova face.
Uma língua serpenteia
para fora da minha boca,
e os meus olhos...
Os meus olhos esbugalhados
e atentos brilham
em um vermelho-alaranjado intenso.
Consumida inteira,
criei asas gigantes
de um preto fosco,
pés de águia.
Minha balança agora
é uma espada que
destrói.
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