domingo, 5 de abril de 2026

Você nunca fará isso por mim

 


Tô tentando ser corajosa,

mas sempre dou dez passos

para trás quando algo

que previ acontece.


Pode ser ansiedade,

podem ser traumas.


Quase sempre penso em me

trancar, longe do mundo,

para não incomodar,

porque, se eu for eu,

serei eu demais,

e tudo em mim grita exagero.


A água precisa se manter

morna, ou queima as mãos

das pessoas.


Às vezes, só quero um abraço,

um carinho e alguém que cuide de mim,

mas ser frágil assim

já me custou tantas coisas.


Então sinto um medo constante

de ser manipulada,

de não conseguir ler

as entrelinhas corretamente.


Essas normas sociais

são confusas,

e se eu cair de novo

em armadilhas?


Fui usada para alimentar

fetiches,

tive que me despir da minha

personalidade.


Agora, mesmo que eu queira,

não consigo,

não consigo acreditar

nas pessoas.


Fui feita de ioiô,

de depósito.


Ainda assim...

desejei voltar atrás

só por gostar tanto de alguém.


Tô sempre esperando uma nova decepção:

quando vão me abandonar,

quando vão pisar em mim,

quando vão me usar,

quando vão me manipular,

quando vão me machucar,

quando vão, quando vão,

quando...


As pessoas não admitem

seus erros,

e sou muito boa em pedir desculpa.


As pessoas não reconhecem

que te feriram,

e sou muito boa em me sentir culpada.


As pessoas são muito boas em fingir que você nunca existiu,

e eu sou muito boa em implorar atenção.


Os meus sentimentos nunca

serão importantes o suficiente.


Fale, para eu te ouvir atentamente

e emoldurar em quadros.

Você nunca fará isso

por mim.


Uma apatia me domina.

Não quero sentir nada,

não quero mais me cansar

tentando me enquadrar,

mas os padrões são os mesmos.


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