Tô tentando ser corajosa,
mas sempre dou dez passos
para trás quando algo
que previ acontece.
Pode ser ansiedade,
podem ser traumas.
Quase sempre penso em me
trancar, longe do mundo,
para não incomodar,
porque, se eu for eu,
serei eu demais,
e tudo em mim grita exagero.
A água precisa se manter
morna, ou queima as mãos
das pessoas.
Às vezes, só quero um abraço,
um carinho e alguém que cuide de mim,
mas ser frágil assim
já me custou tantas coisas.
Então sinto um medo constante
de ser manipulada,
de não conseguir ler
as entrelinhas corretamente.
Essas normas sociais
são confusas,
e se eu cair de novo
em armadilhas?
Fui usada para alimentar
fetiches,
tive que me despir da minha
personalidade.
Agora, mesmo que eu queira,
não consigo,
não consigo acreditar
nas pessoas.
Fui feita de ioiô,
de depósito.
Ainda assim...
desejei voltar atrás
só por gostar tanto de alguém.
Tô sempre esperando uma nova decepção:
quando vão me abandonar,
quando vão pisar em mim,
quando vão me usar,
quando vão me manipular,
quando vão me machucar,
quando vão, quando vão,
quando...
As pessoas não admitem
seus erros,
e sou muito boa em pedir desculpa.
As pessoas não reconhecem
que te feriram,
e sou muito boa em me sentir culpada.
As pessoas são muito boas em fingir que você nunca existiu,
e eu sou muito boa em implorar atenção.
Os meus sentimentos nunca
serão importantes o suficiente.
Fale, para eu te ouvir atentamente
e emoldurar em quadros.
Você nunca fará isso
por mim.
Uma apatia me domina.
Não quero sentir nada,
não quero mais me cansar
tentando me enquadrar,
mas os padrões são os mesmos.
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